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Que motivos me levaram, primeiro a questionar e depois a abandonar "esquemas de sobrevivência", tão seguros e confortáveis, e partir para mudanças radicais na minha vida e na minha maneira de viver? O que me fez trocar a comodidade de seguir "mapas prontos" para abrir os meus próprios caminhos, em territórios totalmente desconhecidos, sem nenhuma garantia de que eu iria chegar em algum lugar ao menos "habitável"? O que me atraiu a navegar "por mares nunca dantes navegados", como disse Camões n'Os Lusíadas ou a "ir onde nenhum outro ser humano chegou", como a nave espacial Enterprise, do seriado Jornada nas Estrelas? A despeito de todas as justificativas e motivos que eu possa apresentar, o que prevaleceu mesmo, na hora de trocar o certo pelo completamente duvidoso foi o impulso de crescer que existe dentro de mim, e que existe dentro de cada ser humano. Muitas e muitas vezes, ao longo da minha vida, esse impulso tem entrado em cena, balançando até mesmo aquelas estruturas que me pareciam já tão completamente consolidadas e estáveis. Quando esse impulso aparece (o que ele costuma fazer nas horas mais inusitadas...), ele me deixa apenas duas opções: - desconhecer, negar e reprimir a sua chegada ou me entregar a ele, de corpo, alma e mochila, sabendo que isto significa partir em busca de algo inteiramente novo e desconhecido em minha vida. No fundo, essas duas opções são apenas uma. A "duríssimas penas", aprendi que, quando eu escolho não-crescer, eu apenas adio os sacrifícios do meu crescimento, e só faz com que eles fiquem ainda maiores para o futuro. Por um certo tempo, que ninguém pode precisar exatamente qual é, e que varia de pessoa para pessoa, o impulso de crescimento pode ser abafado, interrompido, adiado, esquecido e relegado a um grau de prioridade zero, mas não pode de maneira nenhuma ser totalmente banido da vida de cada indivíduo, uma vez que Crescimento Pessoal é o núcleo central e a própria razão de ser da existência humana. O destino do ser humano é crescer e, sendo assim, ninguém jamais se livrará das tarefas impostas pelo seu processo de Crescimento e Desenvolvimento Pessoal, a menos que elas sejam satisfatoriamente concluídas (como eu escrevi no meu poema Diante de Mim). Perder esse “Impulso Primordial para o Crescimento” é a mesma coisa que eu morrer - como indivíduo e como parte da espécie humana. Se eu parar de crescer, eu viro um “morto vivo”, correndo de cá para lá para cumprir a rotina interminável, desgastante e totalmente sem sentido em que a vida parece ser quando eu não estou crescendo. Rotina absurda e sem graça, que levaria qualquer tolo a concluir, como Macbeth, de Shakespeare, o completo absurdo e a total inutilidade da vida vivida dessa forma. (A vida é apenas uma sombra passageira. Um ator medíocre que entra, berrando e gesticulando muito, chamando a atenção sobre si da cena inteira, e de repente ninguém mais o nota. É uma história maluca, narrada por um idiota, muito barulhenta e agitada, que significa absolutamente nada." (MACBETH, Shakespeare) Assim, enquanto eu estiver vivo, de tempos em tempos, de modo muito sutil ou escancaradamente, o impulso de crescimento vai se manifestar com toda sua força e intensidade, por mais que eu o tenha trancado nos meus “porões existenciais”. Como um vulcão adormecido que, de repente, entra em atividade, esses momentos trazem à tona, de uma só vez, valores conflitantes, emoções extremadas, objetivos contraditórios, situações em aberto e não-resolvidas, enfim cargas pesadas, esqueletos e fantasmas que eu fui deixando à margem da estrada da vida ou trancando no armário.
É dessa forma caótica, através de
manifestações de desconforto, confusão e insatisfação com a vida que
estou levando, que a vida me chama de volta a cumprir meus propósitos de crescimento. Medo, tédio, depressão,
angústia, falta de significado no que estou fazendo, “a porta que se
fecha diante de mim sem nenhum aviso ou explicação”(como
eu escrevi no meu livro Eu, Comigo, Aqui e Agora), são,
ao mesmo tempo, avisos e sintomas claros que o impulso de crescimento
está voltando a se expressar em minha vida. É
a crise existencial, me lembrando com as suas trombetas estridentes
e desafinadas, que
só existe uma tarefa para a qual eu estou nesse mundo e que esta
tarefa tem que ser concluída: - o meu Crescimento e
Desenvolvimento Pessoal.
É através de perguntas sem
respostas e de respostas que já não satisfazem mais que a maioria
põe o pé na estrada do seu crescimento pessoal. Perguntas do tipo: -
Quem sou eu? O que estou fazendo nesse mundo?
Para que estou fazendo as coisas que eu faço? Onde é que isso tudo
vai me levar? Estou confortável dentro da minha própria pele? Estou
satisfeito com a vida que eu levo? De adversária ferrenha da mudança - de qualquer mudança - minha cabeça é hoje minha grande aliada, comandante em chefe do meu processo de crescimento pessoal. Mas nem sempre foi assim. No começo da minha jornada, a coisa mais importante é eu ter dado ouvidos à minha própria sensibilidade, seguido a minha própria intuição, a despeito da maioria esmagadora de "votos recebidos em contrário". Pra começar, minha vida estava toda organizada, tudo em seus devidos lugares. Por isso mesmo, a cabeça se recusava terminantemente a colocar em cheque qualquer aspecto da minha vida. Para a a minha cabeça, não havia nada errado, estava tudo em ordem, tudo perfeitamente arrumado, tudo bem disposto, tudo como devia ser... Mas não era isso que minha intuição achava. Para ela, "alguma coisa", que era, na verdade, muito mais do que alguma coisa, definitivamente não andava bem. A intuição percebia o que a cabeça não podia reconhecer: - estava tudo arrumado demais para ser verdade; estava tudo no lugar demais para ser permanente... Naquele começo da jornada, eu só pude contar mesmo com a minha percepção/intuição de que as coisas não estavam bem, apesar de parecerem tão bem. Para todo mundo, incluindo a minha cabeça, tudo estava mais-do-que-perfeito, considerados os padrões amplamente aceitos pela sociedade.
Mas meu corpo sabia
que a minha intuição tinha fundamento, e o meu coração também sabia
disso. Não estava nem um pouco confortável viver da maneira tão
confortável que eu vivia.
Minha insatisfação existencial se manifestava das mais variadas
formas: - angústia, inquietude, ansiedade, falta de ânimo, de graça,
de rumos e horizontes, tristeza, tédio, pressa, preguiça, medo, etc,
etc, todas absolutamente sem sentido para a razão, dentro da
sua "lógica racional pura", incapaz de processar percepções e
sentimentos na sua forma pura e original.
A sorte é que, quando eu me desperto para algum
desconforto, automaticamente eu me desperto para o que seria
o meu conforto. Eu posso até demorar em reconhecer isso para mim
mesmo, mas, uma vez sentido o desconforto, eu não tenho mais como abafar, reprimir
ou renegar a questão. Como eu disse anteriormente, desconforto existencial, quando chega ao nível da
consciência, nunca mais sai de lá.
1. Que a minha vida é só minha e que ninguém vai poder vivê-la por mim ou no meu lugar 2. Que, diante do meu menor descuido, indecisão, inconsciência, dúvida a respeito de quem eu sou e do que eu quero aparecem candidatos de todo lado dispostos a assumirem o controle integral sobre a minha vida. 3. Que cabe a mim - e tão somente a mim - decidir se eu quero, devo e posso seguir os padrões de comportamento que me são impostos pela sociedade. 4. Que, ao romper com os padrões que eu julgo que não devo seguir estou renunciando aos "favores, prêmios, aplausos e presentes" que a sociedade normalmente reserva aos fiéis cumpridores dos dogmas de conduta que lhe são impostos. 5. Que a liberdade de escolha é o maior bem de todos; não há nenhuma recompensa que compense a perda da minha liberdade. 6. Que eu estou na vida para viver e não para provar para os outros o que quer que seja. 7. Que o que os outros pensam de mim não é da minha conta, mas o que eu penso de mim é totalmente da minha. 7. Que é através de atitudes e ações concretas que eu me torno, de fato, dono da minha vida. 8. Que sem ousadia a vida fica um saco
9. Que a vida é muito passageira para ser levada
tão a sério
Eu sou o primeiro
responsável pela minha felicidade. |
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